Sunday, October 01, 2006

Lenda da moura Cassima

Esta lenda passa-se em 1149, na véspera da reconquista de Loulé aos Mouros pelo Mestre D. Paio Peres Correia. Loulé estava sob domínio dos mouros e seu governador tinha três belas filhas: Zara, Lídia e Cassima, que era a mais nova. Quando D. Peres se encontrava no exterior da muralhas da cidade pronto para conquistar a cidade, o governador levou as suas filhas até uma fonte onde as encantou, com o objectivo de as preservar de um possível cativeiro. Contudo, o governador nessa noite conseguiu fugir para Tânger, deixando as suas filhas para trás.
Mas este não conseguia viver feliz ao pensar na pouca sorte das suas pobres filhas. Até que num certo dia apareceu em Tânger um carregamento de escravos vindos de Portugal onde se encontrava um homem de Loulé, que o governador não hesitou em comprar.
Já no palacete, o mouro perguntou ao carpinteiro se ele não gostaria de voltar para perto da sua família. Este, sem perder um segundo, disse que sim. Logo o mouro pegou num alguidar cheio de água dizendo ao louletano para ele se colocar de costas para o alguidar e saltar para o outro lado, prevenindo-o que se caísse dentro da água ir-se-ia afogar no oceano. Deu-lhe 3 pães (pães esses que continham a chave para o desencantamento das mouras) e disse-lhe o que fazer com eles a fim de libertar as suas lindas filhas do encantamento a que foram sujeitas. O carpinteiro salta e como num passe de mágica chega a sua casa, abraçando a sua mulher. Logo de seguida ele vai até um canto da casa e esconde os 3 pães dentro de um baú.
Passado algum tempo mulher descobre os pães e fica desconfiada por eles estarem escondidos. Então, pega numa faca a fim de ver se há alguma coisa dentro deles, espetando-a. De imediato ela ouve um grito e as suas mãos enchem-se de sangue vindo do interior do pão.
Na véspera de S. João (dia para o encantamento ser quebrado) o carpinteiro estava indiferente à animação, pois só pensava em cumprir a promessa por ele feita ao ex-governador. Logo que pôde, pegou nos pães e foi até fonte. Chegando a altura certa este atira o 1º pão para a fonte e grita por Zara, a mais velha das irmãs, e uma figura feminina sobe no espaço e desaparece diante dos seus olhos. Logo de seguida atira o 2º e grita por Lídia; volta a aparece-lhe outra bela rapariga, que desaparece no ar diante dele. Por fim, atira o 3º pão e grita pela filha mais nova do ex-governador, mas nada acontece. Ele volta a gritar por Cassima e uma jovem moura aparece-lhe agarrada ao gargalo da fonte e diz-lhe que não pode sair dali devido à curiosidade da sua esposa. Ele pede-lhe desculpa em nome da sua pobre mulher e a moura diz que a perdoa e que tem uma coisa para ela, pois jamais poderá sair daquela fonte, e atira um cinto bordado a ouro para as mãos do carpinteiro, enquanto desaparece no interior da fonte...
No caminho o Carpinteiro, para ver melhor a beleza do cinto, coloca-o em redor de um tronco de um grande carvalho, mas de imediato a árvore cai por terra, cortada pelo cinto fantástico.
Benzendo-se e rezando, o carpinteiro compreende tudo: Cassima dera-lhe o cinto apenas para se vingar! Sua mulher ficaria cortada ao meio, como o carvalho gigantesco!...
Este correu para casa abraçou a mulher e nessa noite não consegui pregar olho com medo que a moura ali aparecesse, mas isso nunca aconteceu. Tal como a moura Cassima lhe dissera, não mais poderia sair da fonte. Apenas por vezes, segundo se diz - principalmente nas vésperas de S. João - ela consegue agarrar-se ao gargalo da fonte, e mostrar sua beleza, e chorar a sua dor aos que se aventuram por até lá....

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